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De Deus permaneceu por apenas 27 dias no governo

Ex-secretário de Melo denuncia esquema de corrupção

 

O empresário Gilberto Alves de Deus, que comandou a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) por apenas 27 dias abriu a caixa preta da pasta que tem o terceiro maior orçamento do Amazonas. Em entrevista coletiva concedida em seu escritório particular, ele revelou que decidiu deixar o primeiro escalão do governo de José Melo por não concordar com uma série de irregularidades comprovadas por ele próprio.

“Fiz uma viagem ao interior do Estado com o Banco do Brasil e encontrei uma série de irregularidades que foram apresentadas para o governador e ele simplesmente ignorou. Então eu tive que decidir: ou ficava e compactuava com tudo aquilo, ou pedia para sair. Falei com minha família e decidi sair”, disse o ex-secretário.

Gilberto de Deus informou que, assim que começou a identificar as irregularidades dentro da Seinfra, decidiu suspender mais de 50 pagamentos a construtoras que queriam receber sem terem executado as obras. Entre elas, o empresário citou o caso da empreiteira Embrac que queria receber pelo asfaltamento inteiro dos ramais da Jacuarana, Cobra 1 e Cobra 2, mas tinha feito apenas uma obra de tapa-buracos no local.

O ex-secretário também citou a construção da Ponte do Pera, em Coari (foto). Segundo ele, a obra está orçada em R$ 11 milhões, o Governo do Estado já pagou R$ 9 milhões e não foi construído sequer R$ 1,5 milhão.

Mas o caso mais escabroso apresentado pelo ex-secretário foi o pagamento de R$ 26,4 milhões para a empresa C.R. Almeida para as obras de construção do monotrilho de Manaus. “Alguém aqui já viu algum monotrilho em Manaus?”, ironizou Gilberto de Deus, completando, “Esta empresa foi contratada sem ter sequer o projeto executivo da obra”.

Fiscalização

O ex-secretário questionou os contratos do governo de José Melo com as empresas Laghi Engenharia Ltda e Egus Consult Engenharia de Projetos Ltda. De acordo com Gilberto, somente a Egus Engenharia possui contrato de R$ 175 milhões, dos quais já foram pagos quase R$ 100 milhões somente para fazer fiscalização.

“A Seinfra não precisa de engenheiros para fiscalizar e, mesmo assim, o governo de José Melo paga R$ 5,5 milhões por mês para empresas que enganam que fazem esse serviço”, denunciou. Por este escândalo, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) já notificou a ex-secretária da Seinfra, Waldívia Alencar.

Arrogância

Gilberto de Deus contou com detalhes o estopim da crise que o fez deixar o governo de José Melo. Ele disse que começou a se decepcionar com o governador quando lhe procurou para informar sobre as irregularidades na Seinfra. “Eu disse a ele: ‘governador José Melo, precisamos tomar uma decisão radical, pois teremos que cancelar todos os contratos de empresas que recebem dinheiro do governo por obras que não estão concluídas’. Ele não me apoiou”.

Foi então que o empresário decidiu abandonar o governo, apesar de José Melo insistir que ele permanecesse na Secretaria de Habitação (Suhab). “Como poderia ficar na Suhab, sabendo que na Seinfra está derramando dinheiro enquanto policiais militares estão pedindo reajuste?”, argumentou Gilberto, revelando que teve que  demitir 200 funcionários da Suhab para atender ao “ajuste administrativo” de José Melo.

“Fui amigo do governador José Melo até o dia que passamos a Seinfra para o Américo Gorayeb, pois ele me humilhou. O professor Melo de hoje é um arrogante”, finalizou.

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  • Beba de Labrea

    Conheço essa grande pessoa Gilberto. Pois ele foi o único construtor a fazer uma obra de vergonha aqui em Lábrea. O ifam ( escola técnica). São essas pessoas q precisamos pra tentar moralizar esse amazonas.

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